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El Telón de Azúcar, 2006

Um cosmonauta que nunca pisou em terra

‘Um documentário sobre Cuba’ parece muito pouco do que se pode dizer a respeito desta película. Nela nos é apresentada uma visão – pessoal e intransferível – de Cuba hoje, passados quase 20 anos da queda do ideológico muro socialista. Camila Guzmán, filha do documentarista chileno Patricio Guzmán, e cuja família foi recebida por Fidel logo após a derribada de Allende, busca compreender – com uma pequena ajuda de seus amigos – qual o erro na trajetória de seu país adotivo.

O filme fala, sem panfletarismo, de como foi belo o sonho cubano que forjou, em pleno século XX, uma sociedade hedonista/humanista tal qual nossos modelos Greco-romanos, e investiga sob que fina camada de açúcar esses mesmos sonhos foram plantados.

Confrontando passado e presente a diretora passeia entre aqueles que permaneceram em Cuba, e outros que a deixaram, e suas opiniões em geral convergentes, apesar das diferentes atitudes. Fala de sua experiência na escola primária, em que ainda hoje aprendem-se os mesmos hinos de ufanismo e ensina-se todas as glórias passadas, sobre os escombros da revolução.

A preocupação de Guzmán é identificar o que ocorreu com sua geração, Os Pioneiros, preparados para serem los forjadores del futuro: el hombre nuevo que imaginó el Ché, e a inquietação que dominou todos estes jovens diante do declínio vertiginoso de seus ideais. Após o chamado Período Especial (período de turbulentas privações, depois do fim da URSS e conseqüentemente do que sustentava materialmente esse sonho), muitos dos bem educados e capazes jovens cubanos resolveram emigrar, já que a ilha lhes negava o que ela mesma lhes ensinou a prezar: a liberdade de, simplesmente, serem aquilo que gostariam e prepararam-se para ser.

A busca de Camila parece ter sido conclusiva, de acordo com seu comentário quando da apresentação do documentário no Festival de San Sebastián em 2006:

“No creo que sea imposible la revolución, pero Cuba no es un modelo a seguir”.

Cuba falhou, mas os homens estão vivos! E são capazes…

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