na periferia da cinelândia

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Aqui. Ali.

 

Será essa a tradução para Margot at the Wedding, o mais recente filme de Noah Baumbach, que conhecemos como co-roteirista de A Vida Marinha com Steve Zissou (juntamente com meu Anderson predileto, ou ainda como diz meu amigo Malafatus, o Anderson falso) e também por A Lula e a Baleia, este último escrito e dirigido por ele.

Estou aqui escrevendo este post sobre Margot justamente para entendê-la. Afinal de contas, ainda não consegui decidir se gostei ou não dela, e quando digo dela, entendam, do filme. E ela justamente parece contaminar a história com um tom de incerteza, já que sua personalidade forte e cambaleantemente confusa traz para o filme essa mesma energia. E o personagem com o qual eu mais me identifiquei foi justamente o de Jack Black, que vivia tranqüilo, até saber que fazia parte da família de Margot.

Particularmente gosto quando Nicole Kidman interpreta essas personagens não-arrematadas e com várias costuras abertas o suficiente pra que não se consiga entender bem o seu formato. Assim ela me parece mais interessante do que em papéis de diva. Diva, aliás, ela parece ser todo dia, e hoje em dia isso é ainda mais reforçado pela necessidade que a fez mudar algo nos próprios lábios, o que a está transformando em outra pessoa, já que estou começando a não reconhecê-la mais.

Mesmo achando estranho, consegui reconhecê-la (ainda) desta vez na pele da irmã mal-resolvida que consegue desresolver a todos: a irmã, a sobrinha, o filho, o marido, o cunhado e até os vizinhos. Todos são sugados para dentro do redemoinho Margot e mesmo sabendo disso, todos a amam. Talvez porque consigam enxergar a fragilidade que a fez tornar-se uma escritora que – como Baumbach – parece querer exorcizar seus dramas particulares e familiares através da escrita.

A ação é truncada como a mente da protagonista e oscila entre legal e chata, como o filme em si. Mas ainda assim é possível ter certeza sobre algumas coisas dentro dele: Mais uma vez Baumbach desenvolve um drama familiar complexo que não descarta nenhum dos elementos humanos mais conflitantes, como a relação entre pais e filhos, assim como entre irmãos; o casamento, a sexualidade juvenil e a madura, e os problemas (des)envolvidos com a aceitação do eu pelo outro.

Enfim, Margot at the Wedding nos propõe um bom exercício mental sobre as relações humanas. E também é interessante por duas questões: mostra um Jack Black menos engraçado e uma Nicole Kidman menos bonita.

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