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Arquivo para 9 out of 10 movie stars make me cry

Cê tá pensando que eu sou Lóki, bicho?

Só ontem conversando com a galera foi que lembrei da maior expressão de contentamento diante de um filme que eu presenciei numa sala de cinema. Foi no Odeon durante o Festival do Rio 08 na sessão de gala de Lóki, filme sobre Arnaldo Baptista, um dos irmãos que junto com Rita Lee gravaram na pedra da música o rock dos Mutantes. Foram uns 20 minutos de aplausos, gritos e um bocado de choro. Sendo assim há que se fazer um ajuste na minha lista de melhores/2008 e colocar o lóki de Arnaldo Batista e o pan-cinema de Wally Salomão juntos, dividindo com honra o prêmio do Lencinho de Ouro dos filmes mais emocionantes (e quiçá inspiradores) do ano que passou.

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Loki – Arnaldo Baptista,2008 

» Direção: Paulo Henrique Fontenelle

» Gênero: Documentário

» Origem: Brasil

» Duração: 120 minutos

» Tipo: Longa

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A gente se embala se embola simbora!

“Os espectadores não assistem ao carnaval, eles o vivem, uma vez que o carnaval pela sua própria natureza existe para todo o povo. Enquanto dura o carnaval, não se conhece outra vida senão a do carnaval. Impossível escapar a ela, pois o carnaval não tem nenhuma fronteira espacial. Durante a realização da festa, só se pode viver de acordo com as suas leis, isto é, as leis da liberdade.” (Bakhtin, Mikhail. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento – O Contexto de François Rabelais. Hucitec, Brasília: 1999. p.6)

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Entonces cá estamos de volta a normalidade das ruas da Lapa e seus inferninhos de buzina de engarrafamento, mas esse texto não vem pra ser chorôrô nem pra falar das partes chatas da vida. Ele vem na verdade pra que eu conte o que aprendi sobre as festividades carnavalescas e o carnaval de rua do Rio de Janeiro.

Apesar de já ter lido sobre o carnaval ser aquele momento que antecede a quaresma e existe pra potencialização da relações carnais (em todos os níveis, como numa espécie de morte simbólica através do exagero) para que enfim o corpo possa entrar no processo de depuração necessário para os festejos de páscoa (e ressureição), foi só depois de ler Bahktin e seu estudo sobre François Rabelais e as comemorações populares ocidentais da Idade Média que visualizei a medida de importância desse período que só pode ser apreendido através da palavra exceção. 

Quando as noções cíclicas de tempo baseadas nos ciclos naturais de colheita/plantio foram dando lugar à organização social que vemos hoje, o carnaval deixou de ser um período de expurgo e libertação pra encerrar a idéia de desperdício de tempo produtivo. Na Idade Média tudo tinha seu lugar no tempo (a festa e a produção) e “ao contrário da festa oficial, o carnaval era o triunfo de uma espécie de libertação temporária da verdade dominante e do regime vigente, de abolição provisória de todas as relações hierárquicas, privilégios, regras e tabus. Era a autêntica festa do tempo, a do futuro, das alternancias e renovações. Opunha-se a toda perpetuação, a todo aperfeiçoamento e regulamentação, apontava para um futuro ainda incompleto.” (p.9) 

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A foto aí em cima ilustra muito pouco da minha curiosa/feliz vivência desse processo de blocos de rua nos bairros do centro e o mais interessante de transitar por estes bairros foi a tranquilidade de se andar pela cidade, com todo mundo conectado à mesma idéia de diversão e gentileza. Usar o transporte público parecia um grande castigo, mas depois de entrar num ônibus você podia se considerar dentro de um bloco desorganizado e rir bastante de todas as grosserias, xingamentos e bêbados. A expressão riso festivo ou carnavalesco em Bakhtin é forjada justamente como a idéia de  uma risada coletiva e não a reação a um fato isolado cômico de sentido individualizado. É nesse riso que as pessoas não apenas se congregam como se divertem juntos no meio da multidão. 

Um outro ponto diz respeito ao corpo e a sua ‘coletivização’ durante os festejos. Pensando de primeira essa idéia de corpo coletivizado pode ser bastante forte e para os mais pudicos até um pouco pornográfica, mas é a chance de se mostrar aproveitando o calor pra usar roupas menores, fantasiar com o dia-a-dia e somando-se uma linguagem de tipo familiar com apelidos e grosserias não usuais ajudam na trajetória de libertação que o carnaval propõe. Deixando Bakhtin falar, “no realismo grotesco (isto é, no sistema de imagens da cultura cômica popular), o princípio material e corporal aparece sob a forma universal, festiva e utópica. O cósmico, o social e o corporal estão ligados numa totalidade viva e indivisível. É um conjunto alegre e benfazejo.” (p.17) 

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O sentido do grotesco é falar/positivar os aspectos naturais da vida, as excreções, a sexualidade, o riso e nesse conjunto novamente nos ligar aos velhos orangotangos que todos somos, e deixar um espaço no tempo para que possamos exprimir essas idéias sobre as quais refreamos as expressões quase todos os dias, já que não mantemos relações íntimas com a grande maioria de pessoas com as quais nos relacionamos.

Pra fechar com mais uma citação do mestre, “o realismo grotesco e a paródia medieval baseiam-se nessas significações absolutas. Rebaixar consiste em aproximar da terra, entrar em comunhão com a terra concebida como princípio de absorção e, ao mesmo tempo, de nascimento: quando se degrada, amortalha-se e semeia-se simultaneamente, mata-se e dá-se a vida em seguida, mais e melhor.” (p.19)

Enfim, Bakhtin escreveu o que muitos brasileiros antes mesmo de nós já entendiam há tempos: navegar no mar-carnaval é preciso e viver nunca é preciso. 

Crédito das fotos @andercelly, @nandamelonio.

Agradecimentos especiais aos amigos que montaram o bloquinho-do-nós-bem-louco e descendo as ladeiras de Santa Tereza me deixaram com alguns machucados e muita vontade de continuar viva: Janis, Samuel, Taci, Sara, Belisário e Cincão (do meu coração de melão).

Isto não é uma crítica/O Leitor

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Mesmo já tendo escrito sobre este filme, faltava falar um pouco sobre o impacto pessoal de assisti-lo, aqui da cadeira do espectador comum, coisa que sabemos (ou não) contradiz um pouco as expectativas de um texto com qualidades jornalísticas imparciais.  Entonces, deixo avisado que se você chegou até aqui em busca de informações sobre a sinopse ou mesmo sem vontade de ler spoilers, não continue. Não quero estragar as surpresas de ninguém…

A vontade de ler o romance me ocorreu mais pelo interesse de entender melhor a personagem interpretada por Kate Winslet, Hannah. As nuances da personagem a humanizam, para o melhor e o pior disso, pois a simplicidade de seu caráter pode ser percebido não apenas na identificação de seu analfabetismo, mas em suas roupas e na naturalidade com que ela conduz todo o relacionamento com o garoto sem grandes jogos ou afetações.

A sensibilidade de Hannah fica exposta na cena em que ela se emociona ao ver um coral de crianças cantar numa igreja (lugar que depois saberemos ter uma boa carga dramática na trama) ou na sequência das cenas em que acompanham0s sua reação às leituras do garoto. E essa mesma sensibilidade contrasta com os modos austeros e a disciplina a que ela se impõem, no cuidado com os pequenos detalhes da vida (vide a cena em que ela dá um banho no personagem de David Kross).

Por tudo isso é possível compreender com que naturalidade Hannah aceitou o trabalho nos campos e com que sentimento de dever e proteção ela cuidou dos detentos,  e mesmo com que racionalidade escolhia quem ficava e quem ia para morrer em Auschwitz. Nada disso tira o peso de sua culpa, mas complexifica as atitudes tomadas em momentos de escolhas difícieis como esse, já que apesar de iletrada ela deveria entender bem o drama da guerra que via diante de si.  As escolhas tomadas como certas dentro de sua própria moral e à revelia das informações de quais seriam os verdadeiros motivos para a existência dos campos de concentração só põem em reflexão o terrível nó em que se encontram as pessoas que por um motivo ou outro vivem alheias à informação, um grande tema a ser discutido nos dias de hoje.

Uma experiência cinematográfica diferente/Hélio Oiticica

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Nas férias de dezembro fui ao museu, prometi que escreveria e até esqueci. Mas relendo hoje O Pensamento Mestiço, do historiador Serge Gruzinski, lá pelas tantas acabei dando de cara com uma citação sobre o trabalho de Hélio Oiticica, justamente sobre a obra Tropicália, aquela mesma que nomeou – muito corretamente – o movimento musical que colocou Caetano, Mutantes, Tom Zé e Rogério Duprat encantando muitas cabeças por aí, inclusive a minha.

Vou deixar que o Gruzinski fale da sua experiência sobre a obra do Oiticica, vivida por ele em 1997, na Alemanha:

“A exposição da Documenta X apresenta outras obras também ligadas ao Brasil. Ao lado de Lothar Baumgarten [fotografo alemão], propunha uma retrospectiva da obra de Hélio Oiticica, cuja produção dos anos 60 se liga às preocupações do movimento ‘antropofágico’. Para essa corrente modernista dos anos 20 – a que se vincula Mário de Andrade -, cabe ao homem colonizado – aqui, ao artista brasileiro – digerir a cultura do colonizador para melhor fundi-la com as culturas nativas. Partindo desses princípios, Oiticica recuperava e reciclava materiais populares para decapá-los de seu verniz exótico ou folclórico e conferir-lhes um alcance universal. […] Em Tropicália, labirinto montado em 1967, Oiticica encena as divergências e dualidades da sociedade brasileira, produzindo uma indeterminação que impede que o sentido se fixe: suas imagens fragmentárias escapam às recuperações do consumo e do mercado.”

Dez anos depois foi minha vez: a experiência de penetrar a Tropicália – e digo isso quase sem exagero –  na exposição que o MAM/RJ fez em comemoração aos 40 anos do movimento. Lá, além de várias obras da Lygia Clark expuseram também uma versão da obra Tropicália. E foi lá que conheci os penetráveis do seu Hélio, com seus ambientes de texturas experimentáveis e pisáveis. E entender as idéias que se passavam lá nos idos de 1960 finalmente se tornou uma experiência palpável, de pegar com a mão mesmo. E foi exatamente como disse num texto que escrevi na época: “vc ouve falar dessas obras e desses artistas, tipo oiticica e lygia clark e mesmo assim sobra um vazio de entendimento pra completar o significado inteiro. ontem lá no mam eu consegui entender algumas coisas.”

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Dois anos depois dessa experiência, vagando pelo centro da cidade, dei de cara com o Centro de Arte Hélio Oiticica com as portas abertas. No catálogo da exposição Penetráveis é possível descobrir que as obras recebem esse nome porque são estruturas físicas realmente penetráveis com o intuito de explorar a idéia de espectador-participante, sendo você convidado a adentrar aquela estrutura, de corpo inteiro, para pensar sobre muitas coisas, inclusive sobre as idéias de cor e espaço.

Sobre a sensorialidade ligada às obras o catálogo diz ainda que “em sua riquíssima operação artística, somatória e agregadora de conceitos e valores, Tropicália sinalizaria para Oiticica mais possibilidades ambientais e a sua chegada à idéia do supra-sensorial que condensaria para a arte a conjugação de estética, vida e mito.”

Amiguinho, sei que você pode tá achando essa conversa de estética/vida/mito um papo pra lá de marrakech, mas vou te contar uma historinha bem simples sobre esse dia no museu do seu Hélio que vai te fazer repensar sobre o tamanho e autenticidade dessa viagem: tava eu perdida num complexo de penetráveis chamado Éden, quando de repente tinha ali mais uma daquelas casinhas entráveis. Abri a cortina de plástico e pensei ‘mas não tem nada nessa casinha’. Então resolvi me fechar lá dentro e ver o que rolava. Tudo escuro e um chão cheio de folhas ainda vivas. Respirei. O cheiro de mato recém cortado subiu e a sensação das folhas nos pés me levou dali pro sítio do tio em que eu passava férias quando era moleca. Pisar o passado, sabe como? Ali comunguei com seu Hélio: estética, mito, passado, vida, tudo junto numa casinha de madeira dentro de um museu.

Enfim, recomendo a experiência pra quem vier ao Rio de Janeiro. É de graça, é bonito, é arte e não se esqueça: vá direto ao terceiro andar e venha descendo. No térreo, depois de sujar muito os pés [e a cabeça], os curadores instalaram Rijanviera, onde se caminha por um rio artificial de água gelada e pode-se então calçar os sapatos de novo e sair na rua bem diferente de quando se entrou.

P.S.: em algum lugar do catálogo se lê que o Oiticica queria criar obras ‘quase-cinema’…

Pato Fu says:

Porque estão todos se iludindo?
Não vou vender o meu revólver!
Com esse papo de amor
Aperta o cinto mais um pouco!

A se mamãe me visse agora
Ia implorar pra que eu sumisse
E se chorando eu me ajoelhasse
E lhe implorasse um beijo
Me tomaria meu revólver, porque

Mamãe ama o meu revólver
Mamãe ama o meu revólver
Mamãe ama o meu revólver
Mamãe ama o meu revólver

Mamãe ama É o meu revólver
Mamãe ama o meu revólver
Mamãe ama o meu revólver
Mamãe ama o meu revólver

A-há, a-há, ah!

slumdog millionaire

se me dessem uma camiseta desse filme, eu usaria até puir. e não tem nada de rancor nisso: só um orgulho danado de ser um slumdog millionaire too.

O Protocolo de Rebobine Por Favor

Ou a sensibilidade pulsante: Michel Gondry não quer ensinar a fazer cinema.

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Semana passada estreou nos cinemas brasileiros o novo filme do diretor francês Michel Gondry, e eu não vou repetir aqui uma lista dos videoclipes que ele realizou antes de seu primeiro trabalho como diretor de cinema em Natureza Quase Humana. Acontece que vários fatos associados a esse lançamento me fizeram parar para pensar. Além do filme, Rebobine Por Favor deu origem a uma exposição interativa – que ainda está rolando no MIS-SP – e também promoveu o lançamento de um livro cujo título, traduzido a grosso modo, seria Você vai gostar desse filme porque você está/é (n)ele: O Protocolo de Rebobine Por Favor. A quantidade de cópias autografadas também não está ali à toa: apenas 50 cópias (Será que alguém que comprou pode me emprestar? Juro que devolvo!)

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Falando um pouquinho da exposição, ela acontece através da interação do público que, se inscrevendo pelo site oficial, agendará uma visita guiada através de vários cenários e objetos usados no filme que dá nome a mostra, além de um brechozinho a disposição para composição do que seria a sensibilidade de um novo filme, pois ao final de sua participação você terá feito um filme, bom ou ruim. Ainda existe mais uma questão que é a da participação não programada na exposição: se você aparecer por lá é só pedir para participar de grupos que estejam por lá gravando, e é bom deixar claro que a intenção é ser gentil, participe!

O que Gondry vem vendendo aqui como idéia é a questão da força dos coletivos não apenas como criadores de conteúdo, mas como realizadores de algo materialmente interessante. No ajuntamento de pessoas, cada uma entra com o que sabe fazer melhor e todos ganham um produto coletivamente realizado, sem essas cafonices de exigir a autoria para si. Vitor Pirralho, meu amigo, já disse: A Devoração é Crítica e o Legado é Universal. E Gondry também diz: entre ali e pegue tudo que você precisar, mas traga um produto novo pra nós!

Falando um pouco do filme, perceba a construção da idéia: A história fala de dois amigos interpretados por Mos Def e Jack Black e sobre a locadora de VHS do Sr. Fletcher (Danny Glover). A locadora fica num prédio antigo que, segundo o Sr. Fletcher, é histórico porque a maior lenda do jazz nasceu ali, Fats Waller. Um dia Fletcher sai em busca de salvar sua locadora da falência e deixa Def e Black tomando conta do lugar. Depois de uma situação engraçada, o personagem de Black consegue apagar todas as fitas de VHS e nenhum filme poderá ser alugado. Quando eles finalmente descobrem o problema que tem nas mãos tentam todas as soluções sensatas para resolvê-los, como pedir a fita de Conduzindo Miss Daisy emprestada em outra locadora por exemplo. Mas justamente assim é que eles percebem que pedir as fitas emprestadas não vai funcionar pra sempre: é preciso colocar a mão na massa.

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E a mensagem de Gondry nem fica presa apenas à mensagem maior do filme, ela aparece em todos os cantos. Quando Jerry (Jack Black) passa pela câmera enquanto está magnetizado pelo choque que levou do gerador, Gondry usa um efeito de pós-produção que simula a interferência na própria câmera que filma o filme. Será que dá pra chamar de boba essa sensibilidade ou isso é pura e despretensiosamente uma vontade de educar visualmente as pessoas? Da mesma forma, Jerry se irrita com uma cliente na loja simplesmente porque ela cobra a ordenação alfabética das fitas, e ele irritado por reconhecer nisso uma preocupação boba, solta os cachorros e é rude com ela. Ou seja, até mesmo quando o tom despretensioso do diálogo parece apenas aborrecido, o que aparece na big picture são críticas à sociedade, num combate que Gondry tomou pra ele desde sempre: a desumanização gradativa dos homens e o processo de desvinculação que nos impede de correr riscos e de nos associar aos outros são os temas recorrentes, seja no respeito a diferença na relação com o outro (Natureza Quase Humana), em admitir que se ama alguém para além de seus defeitos (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) ou na vontade desesperada de um homem em levar alguém para dentro de seu mundo (Sonhando Acordado).

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Gondry fala sobre como um comportamento lúdico pode despertar o interesse de alguém em fazer algo, talvez cinema e porque não? Com Rebobine Por Favor o diretor parece encerrar um ciclo, dizendo que uma comunidade pode se articular para registrar de si mesma a imagem com a qual pretende ser marcada ou simplesmente por acreditar que o cinema é algo encantador porque promove  a ultrapassagem das barreiras dos sonhos, fazendo então com que as barreiras da realidade fiquem pequeninas. Como na famosa foto da Clementine com o Joel ali em cima, eles parecem dizer: o mundo está rachando e nós vamos ficar aqui deitados?