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Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

O retorno do personagem-ícone interpretado por Harrison Ford é tão legítimo naquilo que diz respeito a sua própria mitologia que é como nunca ter saído da década de 1980, ou como se não tivessem transcorrido 19 anos desde a Última Cruzada.

Para aqueles que gostam dos filmes da série e de seu personagem, vale muito! Àqueles que estão habituados às aventuras dos heróis dos anos 2000, é possível que se confunda uma atitude old-school da dupla Spielberg-Lucas com algo velho/ultrapassado.

Clique na imagem para ler a crítica completa:

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Estréia: Não Estou Lá

Não Estou Lá

christian bale é bob dylan

richard gere pe bob dylan

Não costumo chamar atenção para as estréias da semana, mas esse é um caso especial. Não Estou Lá é o filme mais recente de Todd Haynes (Save e Velvet Goldmine) e isso já inspira a curiosidade de ver o inusitado de seu cinema que considero um dos mais instigantes – principalmente com relação à estética – da atualidade.

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Lembrando que por este filme Cate Blanchet concoreu ao Oscar 08 de atriz coadjuvante por sua atuação como o músico Bob Dylan (aliás, indicação muito bem indicada) e dentre os 6 atores utilizados neste projeto para interpretar o multifacetado cantor essa também é uma oportunidade de assistir a um dos últimos trabalhos de Heath Ledger, morto em janeiro deste ano.

Vale pela criatividade, pela estética, pelas interpretações, pela trilha sonora… Vale tanto que foi incluída na lista de melhores filmes vistos em 2007 aqui pelo Cine Orly e foi uma das primeiras críticas postadas aqui.

Se quiser ler a crítica de Não Estou Lá, clique na figura abaixo e divirta-se.

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Elizabeth: The Golden Age, 2007

A força de uma Elizabeth I em forma de Cate Blanchet, ou o contrário?

A partir do olhar de Shekhar Kapur temos montado o quebra – cabeças da vida de Elizabeth I, Rainha da Inglaterra. De início, em seus primeiros anos de reinado e a vivacidade da juventude em Elizabeth (1998). E agora, em Elizabeth: A Era de Ouro, vemos a rainha confirmando a abdicação de sua vida pessoal em detrimento do comando de seu país, lutando contra várias questões de uma única tacada: As críticas quanto à falta de um herdeiro vindo dela; a negação de mais um amor; intrigas que pretendem destituí-la de seu trono e o ataque armado que a Espanha promove contra a Inglaterra, em nome de diferenças religiosas.

Muito pano para mangas deve ter rendido um ritmo interessante à ação do filme, certo? Nem tão certo assim. Em meio a essa possibilidade de tramas, a dupla de roteiristas (William Nicholson e Michael Hirst) concentrou o foco das atenções nas questões de ordem pessoal da personagem, o que deve ser realmente irresistível tendo ela sido considerada por anos como filha ilegítima de seu pai, Henrique VIII, e tendo assumido um trono de tal porte sob uma grande conturbação política e também religiosa, e ainda assim tendo gravado seu nome na história como aquela que adjetivou uma era – a elizabetana – onde as artes floresceram a ponto de darem luz a um nome como William Shakespeare. Mas a que preço construiu-se essa figura?

Essa é a linha que une os dois filmes de Kapur: encontrar a humanidade na figura pétrea de uma rainha que tantos conhecem de longe e poucos realmente puderam ver de perto. Tanto que neste segundo filme são vários os momentos em que a câmera se posiciona por detrás de objetos e colunas, como se esgueirando para poder conhecer a verdade atrás das deslumbrantes roupas e perucas da Rainha Virgem. Apesar das boas intenções desta solução – que demonstra a delicadeza com que se quer mostrar o lado pessoal da personagem -, sem exageros ou por causa deles, é possível ficar tonto dentro da sala escura. Principalmente aos que, como eu, possuem astigmatismo.

Apesar da fragilidade do argumento acima, é preciso deixar claro que mesmo com todas as boas intenções e os clichês irresistíveis, o filme demonstra falhas tão contundentes quanto o talento de Cate Blanchet, que muito acertadamente conseguiu ser ‘pescada’ de dentro deste caldeirão para ganhar sua segunda indicação ao Oscar de Melhor Atriz pela interpretação de uma mesma personagem, o que é no mínimo curioso.

Clichês irresistíveis? Pode ser. Afinal de contas somos cúmplices do primeiro beijo de Elizabeth e essas coisas são clichês e são irresistíveis na vida de qualquer um. Mas fazer uma tomada onde, depois de uma batalha entre navios espanhóis e ingleses, vemos um crucifixo afundar no mar como metáfora para a derrota do catolicismo, é duro de engolir.

Um espaço para a sinopse: Em 1585 a Espanha desponta como o mais poderoso país europeu e promove guerras políticas sob o falso motivo de incompatibilidade religiosa a todos os países não-católicos do continente, e a Inglaterra governada por Elizabeth I é o único país a se opor a isso, conservando-se protestante e tolerando a existência de católicos em seu território. Mary Stuart (Samantha Morton), rainha da Escócia, estabelece uma aliança com Felipe II, rei da Espanha (Jordi Mollá) para destituir Elizabeth do poder. Em meio a isso, a rainha inglesa vê-se obrigada a deixar-se cortejar por uma série de nobres pretendentes, posto que seu trono mantém-se sempre ameaçado devido a falta de sucessores. Mas quem toca seu coração é o conhecido aventureiro inglês Sir Walter Raleigh (Clive Owen). Em troca da constante permanência de Raleigh na corte, a Rainha Virgem passa a incentivar sua ama mais querida, Elizabeth como ela (Abbie Cornish), a aproximar-se do aventureiro, e passa a viver através da ama esse romance proibido.

O que também deixa a desejar nesta película é a abordagem da guerra, que juntamente com o romance mal vivido entre a Rainha e Raleigh são os focos principais da trama, um momento pelo qual se aguarda. E quando chega é um episódio contado aos solavancos e sem o impacto que deveria ter. Bem como a trama da traição de Mary Stuart e da oposição que vemos sendo montada por alguns populares ao governo da Rainha, que de tão sutilmente demonstradas, acabam nos deixando sem entender bem os meandros da questão.

Aplausos existem também, principalmente à interpretação de Blanchet, seja pela impostação de sua voz nos momentos em que, sendo rainha, a própria rainha mais parecia uma atriz interpretando um papel que conhecia bem, como a própria Cate em sua interpretação, parecia com uma rainha que ela mesma conheceu muito bem. Vale ressaltar também a presença sempre forte de Samantha Morton, antagonista à altura de qualquer interpretação ou reinado. Pena que tão pouco explorada dentro da trama.

No mais, é fato e precisa ser dito: mais um filme de temas palacianos e de guerras clássicas, sem nada a acrescentar aos seus pares do gênero, à exceção dela, a rainha Cate Blanchet.