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Festival do Rio, post 4

Para não deixar a coisa esfriar e na dificuldade de participar do Festival e ter tempo para escrever textos bem elaborados para cada um dos filmes vistos, vou postar aqui alguns textículos –  um pouco maiores do que um miguelão – pra sinalizar o que achei na bagunça de filmes que rondam minha cabeça esses dias:

O bom, o mau e o bizarro, Kim Jee-Woon
Superprodução do cinema coreano transpõe uma trama típica de westerns americanos (alguém me disse que o termo ‘western americano’ é redundância, mas…) para a Coréia colonial e traz como enredo a disputa de três lendários homens cujas aventuras são popularmente conhecidas. Correndo atrás do mesmo mapa e do mesmo tesouro, o embate entre os três vai se desenrolando enquanto todos ao redor vão sendo dizimados. Bonita fotografia, piadas engraçadas e cenas de luta que nos desafiam a imaginar como aquilo possa ter sido filmado. Destaque para o figurino, cenários e objetos que misturavam elementos dos westerns clássicos como roupas de couro, botas e chapéus com elementos orientais como armaduras. Empolga e é bem divertido.

Casa Negra, Shin Terra
Até agora fica a dúvida se Shin Terra quis fazer uma comédia bizarra misturando técnicas de filmes b com suspense, ou se quis ser sério e errou na mão. Um funcionário de uma empresa de seguros cai na besteira de se identificar durante uma conversa telefônica com uma cliente. A partir daí começa a ser perseguido por um casal sem escrúpulos que não mede esforços para conseguir dinheiro através de apólices de seguros. O personagem Jeon Jun-oh é um tipo tão caricato e inocente que pareceu confirmar o estereótipo do homem-bobinho-oriental que está sempre sorrindo e fazendo reverência. Os 40 minutos finais são de gargalhar de tão inacreditáveis.

Choke, Clark Gregg
Nova adaptação cinematográfica de um livro de Chuck Palahniuk deixa uma sensação de idéia mal-cumprida ao final da projeção. Roteirizado e dirigido pelo ator Clark Gregg e apesar da presença de Sam Rockwell e Angelica Houston como protagonistas, o ritmo com que a trama se desenvolve é tão constante que a virada do personagem quase nem é sentida. Cenas desnecessárias como a do pedagogismo cristão sobre amar ao próximo não parecem coisa de Palahniuk e sim de um diretor tentando explicitar o conflito, que já sabemos, está perturbando o protagonista perturbado. Trama interessante: Cara viciado em sexo trabalha num museu sobre a vida colonial norte-americana e faz pequenos trambiques para conseguir o dinheiro necessário para manter a mãe num sanatório. Com a piora no estado de saúde da mãe ele tenta arrancar dela a confissão de quem seja seu pai, buscando assim alguma explicação para seus desequilíbrios. Sam Rockwell é sempre bom de ser visto e as piadas são bem bacanas.

De repente, o inverno passado, Gustav Hofer e Luca Ragazzi
Documentário abordando o cotidiano de um casal homossexual que mantém uma relação estável há 8 anos sem nenhum resguardo burocrático. Na Itália onde vivem, um projeto de lei é criado para legitimar a adoção para casais homossexuais e inicia ampla campanha de contestação por parte do Vaticano e congressistas ligados à Igreja. Colhendo depoimentos nas ruas, em passeatas de orgulho cristão até a parada do orgulho gay eles demonstram como o preconceito enraizado impede o debate sobre questões como essa. Reflexivo e bem-humorado debate a questão sem ser piegas.

Delta, Kornél Mundruczó
Filme feito de silêncios e sugestões mais do que ação propriamente dita, fala sobre o retorno de um homem a sua terra natal, à beira do Danúbio, uma cidade pequena onde todos se conhecem. Nesse retorno ele é tratado pelos homens do lugar como estranho, tornando-se assim ressabiado. E no encontro com uma irmã cuja existência ele desconhecia, o forasteiro encontra o apoio que precisava para pôr em prática a construção de uma bela casa num terreno que pertencia a seu pai. A comunidade passa a vigiar de perto a confusa relação entre os irmãos, deixando claro desde o começo a sua desaprovação. Apesar de falar sobre a questão do incesto, Mundruczó não o torna explícito evitando com sensibilidade a cena do beijo. Terá sido uma escolha poética de supressão da cena óbvia ou algum receio de chocar demais? A fotografia ampla privilegia a beleza natural do Danúbio e algumas cenas de ângulos menores são dirigidas com primor.

Hoje, um ano.

Amigos, depois de muita concentração de energia a respeito de uma prova, o grande dia já passou e agora é esperar pela nota. Isso explica o sumiço, mas ainda diz muito pouco sobre o que se passa por aqui.

Legal mesmo – e foi pra isso que eu loguei no wordpress à uma da manhã – foi que hoje começou o Festival do Rio pra mim. As primeiras cabines foram a produção germano-húngara Delta, que conta a história de uma comunidade que não curte a idéia de um incesto; o outro foi o novo do Guy Ritchie,
Rock’n’Rolla, que além de começar a ficar interessante só lá pela metade, não atualiza em nada a filmografia do cara; o terceiro foi 14 Kilómetros sobre o qual eu realmente não saberia o que comentar; e por fim, pra nos acordar, a sessão madrugueira foi Casa Negra, um filme coreano que ainda não me fez entender se era propositalmente trash ou inocentemente clichê, mas que nos divertiu litroz: gargalhadas garantidas e meu filme predileto do dia.

Mas hoje é um dia especial também porque há um ano foi a minha estréia nessa vida de cabines e críticas: era Festival do Rio também e minha primeira cabine foi a do filme People – Histórias de Nova Yorque lá no Odeon. Foi o dia de realizar um sonho que sinceramente eu já tinha riscado da lista.

Pra matar a curiosidade, eis aqui a crítica de People, meu primeiro texto por essas paragens cinematográficas, e que gerou até citação do meu nome em capa de dvd por causa da frase inicial, espertamente utilizada fora do contexto.

E pra quem quiser acompanhar o que eu e o Andy – guru e amigo querido – estamos fazendo aí por esse festival, é só seguir a trilha da gente aqui, aqui e aqui.

E pra me seguir, é só seguir a linha da Maga ———–>

A gente se encontra por aí!