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Arquivo para fenômeno lost

Mais uma temporada ou menos uma?

Me dei conta de que Lost está chegando a última temporada e de repente toda aquela raiva por saber que esperaríamos 6 anos pra desamarrar os nós apertados pela equipe de roteiristas comandada por JJ Abrams se transformou numa tristezinha incômoda. Ainda mais agora que a trama saiu de dentro das estações Dharma pra uma espécie de templo mitológico, e na tentativa de tentar prever pelo menos os rumos de uma série de televisão, vai ser preciso ler algumas historinhas da mitologia greco-romana, os pais da narrativa ocidental, e tudo ficou ainda mais interessante.

Não faço parte da turma gigantesca que tenta encontrar coerência no super fluxo de referências que o seriado despeja a cada episódio, e me detenho a acompanhar a trama boquiaberta com a força criativa do roteiro que vem segurando uma legião de fãs. Mas há também uma pá de gente que vive indiferente ao fenômeno e eu não to aqui pra convencer ninguém do contrário. Só vim aqui pra listar as 5 coisas que mais gosto em Lost porque este último episódio me inspirou um sentimento de nostalgia pelo o que eu ainda não vi:

5. O suspense: quem é que não tá curioso pra saber como a série vai terminar e aguenta até os episódios menos inspirados só pra poder juntar as peças no final?

4. O monstro de fumaça: nada melhor do que um enigma e não um bandido (ou mocinho?) tradicional.

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3.O projeto Dharma; a sombra da estátua; o pêndulo de Foucault; o misticismo; a ilha como lugar onde (pode ser que) o tempo seja controlado no mundo enquanto energia física;e todas essas referências esdrúxulas como o urso polar e o Rodrigo Santoro ter sido enterrado vivo.

2. O vai-e-vem do roteiro ou o embaralhamento da linha temporal: porque ser historiador tem desses fetiches, e o prazer de ir buscar na memória aquela cena da primeira temporada e ter que ler um texto sobre viagens no tempo ou física, não tem preço!

1. A experiência: você, amigo lostmaníaco, não se sente parte de uma espécie de experiência da indústria do entretenimento? E isso não parece superbacana?

OBS: Será que o lápis de olho do Richard tem alguma ligação com o fato dele ser um remanescente egípcio ou até o próprio deus-sol, Rá!

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Pensem nisso ok beijo.

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Lost – temporada 4: força total.

Buenas, minha intenção original era a de comentar cada episódio que fosse assistindo da nova temporada, já que esta seria a primeira em que estou redigindo um blog voltado para cinema e coisas afins. Mas o cotidiano é algo muito mais complexo e indomável do que se pensa, e só agora eu to chegando pra falar a respeito.

Se você não viu nenhum episódio ainda, mas tá correndo atrás, treinando e baixando os torrents segundo manda o professor, e não quer ser surpreendido por nenhuma notícia que atrapalhe as surpresas, PÁRE DE LER!

Senão, depois não me culpe, okey?

A cada temporada os caras (J. J Abrams e Damon Lindelof) engendram armadilhas narrativas supondo – e com razão – que alguém irá sentar-se com toda paciência e montar as pontas do quebra-cabeças tentando estabelecer alguma coerência na massaroca de informações que temos sobre os mistérios do seriado. Os temas já variaram entre os mistérios da fumaça negra, as escotilhas, as relações anteriores do passageiros do vôo 815. E nessa temporada a moda é viajar no tempo. Tem coelho viajando. Tem o Desmond viajando. Aliás, tem muita gente vajando e não sou só eu. Pra vcs terem uma idéia – e quem é fã já deve ter lido – dá uma sacada no texto feito pelo Alexandre Matias sobre a mais nova e corrente teoria sobre Lost de que se tem notícia.

Inclusive elevando o status da série à vanguarda de um novo modo de se fazer tv ou mesmo de se fazer (e se vender) cultura pop, em que ganha muito mais aquele que consegue atrair a atenção do espectador por desafiá-lo intelectualmente, já que sabemos há muito que fórmulas requentadas e canastrices não vendem mais o filme de ninguém. E digo mais: nunca foi tão bom gostar de cultura pop como agora. Deixe de ser purista e páre com esse apêgo aos clássicos: Embarque nessa com a gente também!

Ó, pra você não achar que eu to jogando com uma idéia totalmente vazia de significado estético-mercadológico, clica e lê esse outro texto aqui a respeito de um jornalista americano chamado Steven Johnson que estuda as consequências das mudanças nas relações com a mídia e a tecnologia trazidas pela internet na produção de cultura pop. E pra saber um pouco mais sobre ele, pesquei dois links, um aqui e outro aqui.

Mas a gente tava mesmo falando sobre Lost, não é? Bom, mas agora deixa… tem sempre muita coisa acontecendo por aí.

A melhor série de 2007: Dexter.

não sei como isso acontece na casa das outras pessoas, mas o chamado ‘fenômeno Lost’ me fez voltar a assistir seriados com a comodidade de saber que não preciso perder nenhum capítulo simplesmente pq não preciso me ligar na grade de horários de nenhuma tv, seja ela aberta ou paga. (ok, eu sei que muita gente hoje em dia assisti seriados assim…)

enquanto Lost não começa sua quarta temporada e Heroes tá com uma trama bem mais-ou-menos, cheguei até o Dexter quase por acaso.

Dexter é o personagem-título dessa série que está em sua segunda temporada. a primeira é de 2006.

trata-se da vida de um policial especialista em análise de espalhamento de sangue em cenas de crimes (americanos ‘tiram leite’ de cada coisa, não?). adotado ainda pequeno pela família do detetive Morgan, Dexter sempre pareceu estar em cima da linha, na fronteira que divide o bem e o mal. aos poucos vamos descobrindo que o velho Morgan sabia de tudo e fez o pequeno Dexter se adaptar ao convívio social e utilizar ‘sua potencialidade’ de maneira menos ruim…

… e ele se transforma num serial killer de seriais killers, ou de pessoas que matam por motivos, digamos, fúteis. não, não. revelar isso não estraga as surpresas do seriado.

Michael C. Hall , ator que interpreta o personagem-título (o mesmo intérprete do David de Six Feet Under), é um dos indicados ao Globo de Ouro por sua atuação na temporada 2007 e, apesar de não dar muito crédito a essas indicações e prêmios que são orquestrados pela própria indústria que fabrica filmes e séries, fiquei feliz em ver que eu não estava assim tão cega.

uma das forças da série é sem dúvida a interpretação de C. Hall e é fácil perceber que ele parece tomado por aquela ‘entidade’ chamada Dexter quando está em cena. e isso ajuda muito na credibilidade da coisa, na identificação com ele. aliás, inadaptados do mundo, convém assitir alguns episódios: como o personagem traz dentro de si aquele tesão pela morte e pelo sangue, e é óbvio que para ele sentar e tomar o chá das 5 não é tão simples como para muitos de nós. e ele vive entre se deixar levar pelos instintos ou tentar se enquadrar e ser um cara normal, ter uma vida simples. durante os episódios somos guiados pela narração do próprio personagem, que assim vai relevando suas angústias e suas reflexões.

ele se apresenta consciente do bem e do mal que causa, da responsabilidade com as pessoas que entram em sua vida. ele erra. ele tenta arrancar de suas vítimas algumas dicas que o ajudem a se enquadrar melhor sem deixar de ser o que é. ele está sempre em conflito consigo mesmo e isso é muito legal!

a interpretação, somada às reflexões de Dexter sobre a vida em sociedade, a alienação dos diferentes e à supervalorização de coisas estupidamente banais – comum entre as pessoas hoje em dia – foi o que me chamou atenção na trama. no começo fiquei ‘ih, to me identificando com esse serial killer…’ mas tenho certeza de que sangue e morte não são coisas naturais pra mim, e nem quero que sejam! mas essas reflexões sobre inadaptabilidade (ui, que palavra difícil) servem como luvas nas mãos de muita gente, inclusive nas minhas.

fora isso, o roteiro merece destaque assim como a fotografia. ambos ágeis e coloridos como deve ser a vida em Miami (pelo menos essa é a imagem corrente que se faz dela).

a primeira temporada foi muito boa, com a gente conhecendo o personagem e se acostumando a ele e seus conflitos. a segunda teve mais ação e sexo e acho que isso foi uma contigência dos produtores, aquela coisa: porra, esse personagem já é um serial killer e ainda por cima assexuado? quem serão os anunciantes interessados nisso? e assim fomos presenteados com algumas (boas) imagens da bunda de Michael C. Hall e dos peitos de Jaime Murray. acima disso, a temporada foi quente, com Dexter sempre a um passo de ser descoberto e ainda envolvido num triângulo amoroso. no final, parece que os roteiristas exageraram na criação de conflitos, e o último episódio da segunda temporada teve um final meio empurrado, mas tudo bem!

agora é esperar a volta do nosso serial killer predileto!