na periferia da cinelândia

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Arquivo para festivais

Hoje, um ano.

Amigos, depois de muita concentração de energia a respeito de uma prova, o grande dia já passou e agora é esperar pela nota. Isso explica o sumiço, mas ainda diz muito pouco sobre o que se passa por aqui.

Legal mesmo – e foi pra isso que eu loguei no wordpress à uma da manhã – foi que hoje começou o Festival do Rio pra mim. As primeiras cabines foram a produção germano-húngara Delta, que conta a história de uma comunidade que não curte a idéia de um incesto; o outro foi o novo do Guy Ritchie,
Rock’n’Rolla, que além de começar a ficar interessante só lá pela metade, não atualiza em nada a filmografia do cara; o terceiro foi 14 Kilómetros sobre o qual eu realmente não saberia o que comentar; e por fim, pra nos acordar, a sessão madrugueira foi Casa Negra, um filme coreano que ainda não me fez entender se era propositalmente trash ou inocentemente clichê, mas que nos divertiu litroz: gargalhadas garantidas e meu filme predileto do dia.

Mas hoje é um dia especial também porque há um ano foi a minha estréia nessa vida de cabines e críticas: era Festival do Rio também e minha primeira cabine foi a do filme People – Histórias de Nova Yorque lá no Odeon. Foi o dia de realizar um sonho que sinceramente eu já tinha riscado da lista.

Pra matar a curiosidade, eis aqui a crítica de People, meu primeiro texto por essas paragens cinematográficas, e que gerou até citação do meu nome em capa de dvd por causa da frase inicial, espertamente utilizada fora do contexto.

E pra quem quiser acompanhar o que eu e o Andy – guru e amigo querido – estamos fazendo aí por esse festival, é só seguir a trilha da gente aqui, aqui e aqui.

E pra me seguir, é só seguir a linha da Maga ———–>

A gente se encontra por aí!

Diário: É Tudo Verdade – última parte

Mostra Competitiva – Longas:

Cosmonauta Polyakov (Cosmonaut Polyakov. Dana Ranga, 2007)

Polyakov é um russo e foi o homem que mais tempo passou ao redor da terra. Grande conhecedor das minúcias da vida no espaço, o filme é uma entrevista didática em que ele nos conta e mostra o lado bom e ruim de ser astronauta. O processo probatório, o dia-a-dia no espaço, as conseqüências da falta de gravidade e radiação para o corpo humano, a experiência de comunhão com os outros tripulantes, vivendo em conjunto por tanto tempo, e sua família em terra, são tópicos do documentário. Com uma inocência infantil, Polyakov se emociona quando lembra que estar no espaço foi uma das mais felizes coisas que realizou durante a vida. Um pequeno diferencial no curso normal dos documentários é que durante a entrevista, víamos também uma sessão de fotos com o astronauta russo, e posteriormente algumas manipulações dessas imagens.

Vivendo hoje de treinar e estudar as possibilidades de viagens tripuladas à superfície de Marte, ele revela que existem homens que nascem para exercer esse papel maior e anularem-se em prol de algo mais valioso no curso da história das sociedades. Pelo menos Polyakov pode dizer que cumpriu seu papel.

 

Mostra Restrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro:

Semi-Ótica (Antonio Manuel, 1973)

Utilizando fotos de crimes e de alguns homens comuns, o documentarista cria uma pequena ficha que propõe novas identidades aos fotografados, inserindo-os em novos contextos sociais que não os deles, inclusive alterando a catalogação da cor de suas peles, ou mesmo o sexo. Numa referência clara à temática levantada por Hélio Oiticica – Seja Marginal, Seja Herói – em que deu status de arte à foto do corpo morto do conhecido bandido da década de 1960, Cara de Cavalo, Antonio Manuel procura reavivar esta idéia, retirando da marginalidade alguns personagens desconhecidos.

 

Juvenília (Paulo Sacramento, 1994)

Produzido com apoio da ECA-USP esse documentário que mais parece um curta-metragem de ficção, mostra através de fotos estáticas um grupo de jovens se divertindo enquanto torturam um vira-latas. Usando vários tipos de apetrechos como pás, marretas e pedras, a ação dos jovens causou certo desconforto à moça que estava ao meu lado, que preferiu virar o rosto durante os 7 minutos de duração do curta.

Utilizando a música para enfatizar a ação, uma curiosidade sobre o filme é a atuação de Soninha, a ex-vj da MTV e hoje deputada (?) pela cidade de São Paulo.

 

Chapeleiros (Adrian Cooper, 1983)

Mostrando a ação de um dia numa fábrica de chapéus, o que vemos é todo o processo produtivo na confecção do produto, os movimentos repetidos, as diferentes funções e a variação das pessoas que compõem os trabalhadores da fábrica: adolescentes, donas-de-casa, rapazes com jeito de galã, senhores e senhoras de idade que durante o processo se igualam pelo trabalho e se individualizam apenas no final do dia, quando deixam a fábrica e voltam a seus cotidianos e referências singulares.

Interessante é que o cineasta enfatiza, durante a saída, que alguns trabalhadores usam chapéus. De onde terão vindo eles, os chapéus?

Vera Cruz (Rosangêla Rennó, 2000)

Numa tela quase branca alguns traços que se movimentam ao ritmo do mar, cujo som escutamos e que varia de acordo com a tonalidade da tela, dando idéia de claro-escuro. Assim é que lemos os possíveis diálogos que envolveram a chegada das naus de Cabral às terras brasileiras. O primeiro contato com os índios; as trocas; a primeira missa; o espanto com os corpos nus e as tentativas de misturarem-se e conhecerem melhor uns aos outros são o teor dos diálogos.

Uma nova forma de tratar o conhecido texto da carta de Pero Vaz de Caminha, excluindo a dramatização – em geral, tão cafona – do encontro entre portugueses e índios. O documentário apenas sugere aquilo que nunca poderá voltar a ser reproduzido com exatidão: a imensidão do novo. Para ambos os lados desse diálogo.

Com esse último post me despeço do É Tudo Verdade, que continua até domingo aqui no Rio de Janeiro.

Outro dia posto sobre os vencedores das mostras competitivas.

É Tudo Verdade

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A equipe-do-eu-sozinho está participando da cobertura de um dos mais importantes festivais especializados em documentários da América Latina, o É Tudo Verdade que teve início nesta última sexta, dia 28.

Para acompanhar as novidades e críticas, é só aguardar porque a equipe se esforçará para postar o que de melhor for visto por lá.