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Os melhores/2008

Depois de muito refletir – porque 10 é muito pouco – montei uma lista:

1. Onde os Fracos Não Têm Vez/Irmãos Coen
2. Sangue Negro/P.T. Anderson
3. Na Natureza Selvagem/Sean Penn
4. Linha de Passe/Walter Salles&Daniela Thomas
5. Speed Racer/ Irmãos Wachowski
6. Ainda Orangotangos/Gustavo Spolidoro
7. 2 Dias em Paris/ Julie Delpy
8. Viagem a Darjeeling/ Wes Anderson
9. Personal Che/Adriana Mariño&Douglas Duarte
10. Vicky Cristina Barcelona/Woody Allen

Menção honrosa (ou seja, pairando acima): A Mulher Sem Cabeça/Lucrecia Martel

Prêmio O Retorno de Jedi: Encarnação do Demônio/José Mojica Marins

Prêmio Lencinho de Ouro: Pan-Cinema Permanente/Carlos Nader e Lóki-Arnaldo Baptista/Paulo Henrique Fontenelle

Prêmio Medo de Ouro: O Nevoeiro/Frank Darabont

Prêmio Quase Entendi e Ainda Gostei: Liverpool/Lisandro Alonso

E, finalmente:

Prêmio Morango do Nordeste (ou apesar de colher as batatas da terra, mamãe: eu sei fazer arte!):

O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro/Glauber Rocha

pelo lenço vermelho, pelo glauber, pelo dragão e pelo santo.

errata: vou deixar o wes anderson, repetido mesmo.

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Outra curiosidade: Antes do Amanhecer.

Eu te levarei. Tu me levará. É como tem que ser.

Não sei quanto tempo faz desde a última vez que assisti esse filme do Richard Linklater. Sei que acabei de revê-lo e foi curioso perceber que muitas cenas e até diálogos completos permaneciam frescos, como parte integrante da minha memória. Então lembrei do dia, lá em 1996, em que eu disse pra minha mãe que ia dar uma volta. Era dezembro e lá na minha cidade o natal também tem um clima só pra ele (que envolve chuva como é de se supor). Nessa minha volta, acabei caminhando até o cinema e entrei.

Os mais céticos (se é que eles lêem esse blog) devem estar pensando que a menina que existia em mim naquela época obviamente deveria se identificar com uma historinha de amor como essa, mas acho que a menina que eu fui gostou de muito mais coisas nesse filme do que apenas seu enredo fofo. Aliás, olhando hoje para Celine – a personagem de Julie Delpy – foi engraçado reconhecê-la na mulher que, anos mais tarde, estaria pela cidade na companhia de alguém, apenas por caminhar, conversando sobre tantas coisas quanto fossem possíveis naquela situação, num de meus programas preferidos.

Mas não é só isso, porque o Linklater tem esse truque de ‘esconder’ diálogos interessantes sobre temas como morte, deus e política em meio a histórias de amor e de sonho, quando realmente você não acredita que alguém se importe em falar sobre esses assuntos. E no final fica a dúvida se ele fez um filme apenas para poder usar esses diálogos, porque a história é simples: dois estranhos começam a bater papo durante uma viagem de trem. De repente um deles precisa descer, e convida a outra pessoa a continuar a conversa descendo também, afinal de contas são só algumas horas até que Jesse (Ethan Hawke) possa pegar seu vôo pros EUA e Celine, seu trem para Paris. Assim é que eles desembarcam em Viena, uma cidade que nenhum dos dois conhece muito bem, sem dinheiro e sem saber o que fazer. E assim é que eles caminham, andam de bonde, vão a uma loja de discos, de bar em bar, numa roda-gigante. E desde o começo o espectador sabe que aquela história tem hora marcada para o final, o que já é o oposto do que o público pode querer encontrar num filme que fala de apaixonar-se. E é assim que eles conseguem dizer muitas coisas, sobre eles mesmos e sobre os outros, sem que Linklater precise recorrer à grandes técnicas ou conceitos estéticos, coisas que por vezes escondem e mascaram o conteúdo de um filme. Porque o que ele tem são coisas para serem ditas e já que não há uma censura estabelecida de fato, não é preciso recorrer a grandes alegorias para falar do que se quer. E no final, quando a câmera percorre os lugares por onde os personagens passaram, a idéia que me ocorreu foi a de que o diretor quis dizer que aqueles lugares (por mais belos que fossem) eram lugares comuns, transformados em algo maior apenas pela presença e utilização que duas pessoas fizeram deles.

É por essa simplicidade não-oca que Antes do Amanhecer é um filme que eu gostaria de ter feito.

2 Dias em Paris

Assisti esse filme há algum tempo, só pra sacar a performance da Julie Delpy na direção e gostei mais do que imaginei: é um filme que trata sobre os diferentes olhares sobre a realidade, filtrados pela relação entre a francesa Marion e o norte-americano Jack. Esperto e de uma sensibilidade que me agrada, pra ler uma crítica sobre 2 Dias em Paris, clique na figura:

2 dias em paris